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O que está acontecendo no Cazaquistão?

  • José Eduardo Poloni Ponce
  • 21 de jan. de 2022
  • 3 min de leitura



Localizado na Ásia Central, entre a China e a Rússia, há mais de 13.000 km de distância do Brasil, está a ex-república soviética do Cazaquistão, que desde o fim da União Soviética na década 1990 foi liderada por Nursultan Nazarbayev até março de 2019, seu governo foi marcado por desenvolvimento econômico e industrial, movidos em larga escala pelos setores de gás natural e petróleo, que até os dias atuais continuam sendo a base da economia e os principais itens exportados pelo Estado. Mas também, seu governo foi marcado pela perseguição de opositores, censura e descumprimento aos direitos humanos.

Ao deixar o cargo de presidente da república em 2019, quem assumiu o cargo foi Kassym-Jomart Tokayev, membro do mesmo partido político que seu antecessor o Nur-Otan, principal e maior partido político do país e também chegou a ocupar cargos de destaque na antiga administração, como Ministro das Relações Exteriores, Primeiro-ministro e diretor-geral do Escritório das Nações Unidas em Genebra entre 2011 e 2013.

Antes da pandemia de COVID-19 Tokayev conseguiu continuar o legado do líder anterior, introduzindo reformas sociais e políticas, como o aumento do salário dos trabalhadores, mas a censura e o abuso de direitos humanos permaneceram.

Nos últimos dias o mundo vem acompanhando uma série de protestos no Cazaquistão que estão atingindo alto grau de violência por parte dos policiais, que receberam ordens do Presidente Kassym-Jomart Tokayev de revidar com brutalidade os manifestantes deixando mil pessoas feridas e segundo a BBC 400 deles foram hospitalizados e mais de 2200 foram presos.

As manifestações começaram na primeira semana de janeiro de 2022 devido ao aumento do preço do gás liquefeito de petróleo (GLP), sendo eles o décimo quinto maior detentor de reservas de gás natural e o décimo oitavo maior produtor de petróleo do mundo, segundo a Worldometer. O fato deles serem grandes produtores desses itens e o preço crescendo gerou uma grande revolta por parte da população.

Entretanto, o que havia começado como ações contra o aumento dos preços de GLP acabaram se tornando protestos contra o atual governo da ex-república soviética. Porque antes da alta do GLP, a imagem do Estado não era boa, devido a pandemia do novo coronavírus, multiplicaram os problemas internos, a taxa de desemprego é de 4,9% segundo a Trading Economics, os salários diminuíram e as insatisfações da população quanto ao governo subiram criaram um ambiente de conflito, entre um governo com mãos de ferro e um povo cheio de problemas sociais.

A situação levou a altos níveis de instabilidade política, econômica e de segurança, pois recentemente Tokayev indicou Alikhan Smailov como novo primeiro-ministro e na última quinta-feira dia 5 todo o gabinete renunciou, gerando mais incertezas quanto ao futuro político do país, tendo o governo declarado estado de emergência.

Porém, o cenário deste Estado da Ásia Central vem causando uma nova intriga entre o ocidente e o oriente, porque recentemente a Rússia uma de suas principais aliadas enviou tropas para conter os protestos o que desagradou os Estados Unidos que pediram a Moscou para se retirarem de lá e Tokayev devido a grande pressão externa e interna anunciou nesta segunda-feira a saída dos soldados russos em até dois dias, junto com várias críticas ao seu antecessor Nursultan Nazarbayev que segundo o atual presidente foi o responsável por criar uma classe rica que controla os principais recursos naturais do país, que representavam 17.62% do PIB do país, segundo a Our world in data.

O Cazaquistão ainda não decidiu quais medidas serão tomadas para conter esta crise que vem se alastrando por todo o seu território, ou quais respostas a comunidade internacional irá providenciar, ou se as barreiras entre ocidente e oriente vão crescer, mas sabemos que mudanças econômicas e políticas e no setor de energia vão acontecer, se elas irão ser positivas ou negativas, só iremos descobrir com o tempo, mas podemos esperar mais transformações na antiga república soviética.


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