top of page

GEOPOLITICA DO LESTE EUROPEU

  • José Eduardo Poloni Ponce
  • 20 de mar. de 2022
  • 4 min de leitura

Nos últimos dias o mundo todo tem voltado sua atenção para a Europa Oriental, devido a guerra entre Rússia e Ucrânia, que já deixou centenas de civis e militares mortos, iniciou uma nova crise de refugiados na Europa e que desde o começo mobilizou discussões dentre Organização das Nações Unidas e outras instituições internacionais, como a Corte Internacional de Justiça, FIFA, FIA, UNESCO e União Europeia.

Apesar de ser um conflito recente e também o fato dessa ser a primeira guerra entre dois Estados em solo europeu desde o fim da Guerra do Kosovo em 1999, a região da Europa Oriental é marcada pela instabilidade política e crises na segurança, sendo que é área menos desenvolvida do continente, considerada a periferia da Europa. Muitos de seus países como Albânia, Romênia e Sérvia tiveram suas instituições abaladas com escândalos de corrupção internos, guerras como a Guerra da Bósnia (1992-1995), a Guerra Civil da Iugoslávia (1991-2001) e a Guerra do Kosovo (1998-1999) e também ser onde está localizada a única ditadura do continente a Belarus.

Mesmo sendo marcada por crises internas e baixo nível de desenvolvimento, quando comparado aos países da Europa Ocidental como Holanda, França e Alemanha a região representa um cenário estratégico na geopolítica europeia e que desde antes da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) chamava a atenção dos líderes das grandes potências ocidentais e também da própria Rússia, que durantes anos teve uma influência enorme nos Estados, principalmente naqueles que eram membros da antiga União Soviética que são Estônia, Letônia, Lituânia, Belarus, Ucrânia, Moldávia, Georgia, Azerbaijão e Armenia e até hoje esses países são considerados o “Calcanhar de Aquiles” do Kremlin.

Os Estados da Europa Oriental são um desejo de expansionismo russo, assim como são o crescimento do poderio dos Estados Unidos e União Europeia para o leste. O interesse russo está ligado em garantir seu poder econômico e militar na Europa e conter a expansão do Ocidente que cada vez mais está chegando perto do território do Estado Russo, pois as grandes potências do continente são dependentes do gás natural da Rússia, que é o principal poder de barganhar utilizado por Putin em suas negociações, o acesso que alguns deles tem ao Mar Mediterrâneo, sendo uma importante rota no comércio mundial e um dos maiores sonhos das autoridades russas que desde a época dos Czar buscam ter acesso aos mares e oceanos e também pela proximidade que esses países tem com seu país.

Os Estados Unidos junto com seus aliados da OTAN buscam na região expansão de poder e diminuir a influencia de Moscou, algo que desde o fim da Guerra Fria nos anos 1990 eles tinham conseguido até os dias atuais, porque quando o antigo bloco da URSS se desmembrou e novos Estados com recursos a serem utilizados para suas economias e com mão de obra barata e próximo ao seu antigo rival político e militar, viu aquilo como a chance de garantir que continuariam sendo a potência dominante. Logo assim que esses Estados fizeram a abertura comercial empresas ocidentais foram para lá, como também muitos deles foram chamados para fazer parte de organizações internacionais dominadas e baseadas nos princípios e normas das nações mais ricas, dentre elas destacando a OTAN, que é uma instituição militar, onde tem como base o principio de que se um membro sofrer algum ataque, todos os membros terão que revidar e também a possibilidade de ter bases militares de seus membros; e a OCDE, que representa maior aproximação econômica e comercial com as grandes economias do Oeste, que tem dentro de suas normas o favorecimento a Estados membros em qualquer relação comercial internacional.

Quando essas medidas aconteceram irritaram muitas pessoas no Kremlin e a vontade de revidar era enorme, pois além de estarem perdendo aliados históricos e seus objetivos geopolíticos, os Estados Unidos conseguiram alcançar uma de suas maiores metas, dominar pontos estratégicos e ter bases militares cheias de equipamentos prontos para serem utilizados quando necessário e acima de tudo que fica perto do território da Federação Russa. Pois mesmo a Guerra Fria já tendo acabado os americanos mantiveram olhares bem atentos as ações e medidas de Moscou, que ainda controla um dos maiores arsenais de armas nucleares do mundo. Mas naquele momento a nação russa estava mais enfraquecida, passando por crises internas em diversos setores.

Diferente do que aconteceu naquela época, a Rússia está muito mais forte e mais preparada para lidar com a guerra e também com sanções externas e também vemos que não se trata apenas da expansão de poder, mas também de um jogo de interesses entre Putin e Biden, porque esta não é a primeira vez que os russos revidam quando um de seus antigos parceiros foi convidado a entrar na OTAN, em 2005 a Georgia manifestou o mesmo interesse e a reação russa foi a mesma e agora quando vemos um país como a Ucrânia que possui uma grande fronteira com os russos e com um dos maiores exércitos do continente europeu querendo fazer parte dessa organização a reação seria totalmente negativa por parte do governo Putin.

A Europa Oriental assim como outros países subdesenvolvidos sofre do mal de estar localizada em uma zona de ambição das potências, porque ambos os lados querem aumentar seu poder lá, mas no sistema internacional, não é certeza e é uma palavra a qual raramente pode ser usada, porque todos os cenários devem ser considerados desde os mais caóticos aos mais pacíficos.

Comentários


© 2021 por RI-CONNECT.

  • Branca Ícone LinkedIn
  • Branca Ícone Instagram
bottom of page