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França a nova intermediadora entre a Rússia e a OTAN

  • José Eduardo Poloni Ponce
  • 20 de fev. de 2022
  • 3 min de leitura




No dia 07/02 o Presidente Francês Emmanuel Macron se encontrou com o Presidente Russo Vladimir Putin em Moscou, devido ao aumento das tensões na Ucrânia envolvendo a Rússia e a OTAN, que vem reforçando cada vez mais sua presença militar no leste europeu, o que desagradou as autoridades russas que como respostas também mobilizaram militares e equipamentos para a ex-República Soviética, que atualmente se encontra em um ambiente de incertezas.

Ao mesmo tempo em que Macron foi a Moscou o Chanceler alemão Olaf Scholz, sucessor de Angela Merkel, visitou o Presidente dos Estados Unidos Joe Biden. Nesta ocasião, Biden reforçou o ponto de vista de seu país deixando claro que caso uma invasão russa acontecesse os americanos assim como seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) iriam revidar.

Em seu discurso Olaf deixo claro que seu país está do lado dos Estados Unidos ao dizer “Digo aos nossos amigos americanos, estaremos unidos. Agiremos juntos e tomaremos todas as medidas necessárias e todas as medidas necessárias serão feitas por todos nós juntos” afirmou ele em uma coletiva de imprensa junto com Joe Biden na Casa Branca no dia 07/02.

As posturas vindas por parte dos americanos e russos permaneceram as mesmas desde o inicio desta crise, entretanto o que surpreendeu a comunidade internacional foi a postura vinda dos alemães e franceses que parecem ter invertidos seus papéis e opiniões, porque a postura advinda de Olaf contradiz a política externa voltada para o Leste Europeu de sua antecessora Angela Merkel, enquanto a França uma aliada histórica dos EUA e um membro fundador da OTAN optou por uma postura de dialogar com Putin.

As transformações nas posições desses países estão muito relacionadas ao fato da saída de Merkel do cargo que ocupou durante dezesseis anos, pois ela tinha uma postura de inclusão e diálogo com os países da Europa Oriental e com a própria Rússia e também por conta de sua história pessoal, porque Merkel cresceu na Alemanha Oriental e fala russo fluentemente e Putin fala alemão e trabalhou na Alemanha durante cinco anos e também os dois são considerados os líderes mundiais eleitos democraticamente que ocupam os cargos há mais tempo, do que qualquer outro, ou seja ambos possuem similaridades pessoais.

Além dessas semelhanças a Ex-Chanceler tinha uma política de aproximação com a Rússia. Desde que assumiu o governo alemão Angela fez os russos se tornarem um grande parceiro comercial representando 2,08% dos destinos das exportações alemãs, já o Estado Alemão significa 4,65% das exportações russas segundo a OEC (Observatory of Economic Complexity, Observatório de Complexidade Econômica)

Com relação aos franceses eles são um aliado histórico dos Estados Unidos, como mencionado anteriormente a França é uma das fundadoras da OTAN, seus posicionamentos internacionais são favoráveis aos americanos e também são uma potência militar assim como os russos, porém quem ocupava o cargo de interlocutor entre os países ocidentais com a Rússia era a Alemanha, mas agora com essas atitudes de seus governantes o governo de Macron conseguiu ser essa via de conversação entre eles.

Olaf demonstrou ser pró-ocidente e não procurou falar com Putin primeiro, ao contrário do Presidente Francês. A Alemanha continua sendo uma grande potência econômica e a nação mais rica da Europa e logo atrás aparece a França, ou seja, os dois Estados mais ricos e desenvolvidos do continente europeu, aliados ocidentais e dois atores internacionais com grande influência ao redor do mundo e presentes nas negociações a respeito dessa crise.

Apesar do encontro entre Putin e Macron não ter definido um acordo formal e que acabasse com o clima de insegurança, os dois chefes de estados deixaram claro quais eram os desejos dos dois lados. O Ocidente representado pela França afirmou prezar pela diplomacia e a necessidade de haver união entre as nações europeias e que a opção pelo uso de forças armadas é algo muito drástico e que a guerra não é a solução.

Mas Putin mesmo concordando com o Presidente Francês de que a guerra não é o caminho e afirmou estar aberto a negociações, porém ele reforçou que a expansão da influência ocidental para o leste, principalmente para as Ex-Repúblicas Soviéticas que continuam sendo até hoje zonas de domínio russo e o ponto fraco do Kremlin.

O Presidente Macron pode não ter conseguido acalmar o cenário, pois a cada dia que passa tanto russos quanto americanos continuam a enviar tropas e equipamentos para seus aliados ao redor da Ucrânia. Entretanto, ele saiu vitorioso no que diz respeito a um novo líder mundial que dialoga com a Rússia, pois desde a saída de Merkel, Macron foi o primeiro governante da Europa Ocidental a se encontrar com Putin e discutir junto com ele sobre esse tema que vem chamando atenção do sistema internacional.

Não há certezas sobre a crise da Ucrânia, as tensões são altas, militares de ambos os lados estão cada vez mais presentes na região e líderes mundiais estão fazendo de tudo para que a diplomacia supere alternativas bélicas, assim como superou em outras ocasiões.


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