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o dia em que o mundo quase acabou

  • Foto do escritor: André Rodrigues
    André Rodrigues
  • 10 de jan. de 2022
  • 2 min de leitura

Durante a Guerra Fria, o mundo vivia um constante temor de que as duas superpotências entrassem em um conflito direto e/ou nuclear, no qual poderia gerar a destruição de todo o mundo.

E em Outubro de 1962, o mundo acordou achando que esse dia realmente tinha chegado. Os holofotes de todo o mundo estavam apontados para a pequena ilha de Cuba, na América Central, pois imagens de um avião espião americano mostraram que o país estava repleto de mísseis balísticos nucleares apontados para Washington, podendo ser acionados a qualquer momento pelos soviéticos.

Mas por que?

Para entender o porquê dessa postura extremamente ofensiva de Cuba, é necessário entender o contexto da década de 60. A segunda metade do século XX foi marcada pela Guerra Fria, período no qual duas potências (EUA e URSS) estavam em constantes divergências ideológicas e promovendo guerras satélites.

Os Estados Unidos, sempre preocupados com o avanço da influência soviética no leste europeu e no oriente médio, travaram grandes conflitos como a Guerra do Vietnã em 1955 e a do Afeganistão em 1979. Na Turquia não foi muito diferente: o país está estrategicamente muito bem localizado, fazendo uma “ponte” entre Europa e Oriente Médio. Lá, os Estados Unidos implantaram mísseis apontados para Moscou, fato este, que foi o estopim para desencadear a Crise dos Mísseis de Cuba.

Como retaliação, os soviéticos plantaram dezenas de mísseis em Cuba, que era um dos chamados Estado Satélite ¹ da União Soviética. O bloco socialista optou por Cuba devido ao fato de seu líder à época, compartilhar dos mesmo valores ideológicos que os soviéticos, e também, principalmente pela sua proximidade geográfica com os EUA, estando apenas a 150 quilômetros de distância.

Era manchete em todos os jornais na época, realmente o fim da humanidade parecia ter chegado e o medo do holocausto nuclear era tão grande, que o então presidente John Kennedy foi forçado a alterar a postura em relação ao conflito e adotasse medidas não muito ofensivas, como por exemplo, estabelecer uma linha direta com Moscou para fortalecer o diálogo entre os líderes dos dois blocos e também impor um embargo econômico à Cuba.

O incidente diplomático só teve seu fim decretado após o presidente americano retirar os mísseis da base na Turquia e na Itália, motivando seu equivalente a também retirar os mísseis em Cuba.

Foram alguns dias em que o mundo ficou simplesmente paralisado e de olho em qualquer ação tomada por qualquer um dos lados. Positivamente, não houve conflito nuclear, mas as tensões continuaram acirradas até a desintegração da União Soviética em 1991.

O fim da crise gerou contribuições positivas e pacíficas para o sistema internacional, fazendo com que os países assinassem um acordo de não realizar mais testes atômicos na atmosfera terrestre, um acordo embrionário do que seria o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, que foi assinado oficialmente 8 anos mais tarde

Notas:

1: Grupo de países majoritariamente subdesenvolvidos que viviam sob forte ou integral influência e domínio da URSS ou dos EUA.


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