tigres ASIÁTICOS: ECONOMIAS EM SUPER DESENVOLVIMENTO
- Lucas Camargos/ Vinicius Novaes/ André Rodrigues
- 6 de dez. de 2021
- 6 min de leitura
Atualizado: 6 de dez. de 2021
Tigres Asiáticos é um termo que foi firmado no século passado para denominar aquelas economias asiáticas que vinham se desenvolvendo em ritmo acelerado, principalmente na área de produção industrial, com um foco relevante sobretudo na tecnologia. Desde a década de 1970, essas economias vêm se destacando fortemente no cenário do comércio internacional, com seu modelo de produção voltado principalmente para a exportação em grande proporção.
Mas afinal, quais são esses países?
Os 4 Tigres Asiáticos são Coréia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Cingapura. Tais economias recebem forte apoio de seus governos, principalmente na área de infraestrutura industrial, aeroportuária e de logística, para facilitar e otimizar a produção e escoamento em larga escala de produtos industrializados, como carros, equipamentos de comunicação e etc.
Essas economias se desenvolveram rapidamente devido a vários fatores como a implementação de uma política de baixos impostos, abertura para a entrada de capital estrangeiro e investimentos na área de tecnologia e inovação.
Os 4 países são territorialmente minúsculos, porém de grande importância para o comércio mundial.

Nesses países estão sediados, empresas relevantes, que podem ser consideradas a maior de seu ramo, como a gigante da tecnologia de telefonia celular Samsung. Outra empresa que também se destaca na região é a montadora de automóveis Hyundai, que somente no ano de 2019 produziu mais de 210 mil carros apenas no Brasil. A região também é sede de outras grandes empresas como a Doosan e Hanwha. Juntos, o PIB dos Tigres Asiáticos é de quase US $3,2 trilhões. Por isso são considerados importantes para a balança comercial mundial. Neste artigo, abordaremos cada um deles.
Hong Kong
A atual Hong Kong que se tem ideia nos dias atuais se emerge após a Primeira Guerra do Ópio (1839-1842) tendo como dois personagens centrais o poderoso e dominante Império Britânico e por outro a Dinastia Qing a qual já se encontrava em um processo de derrocada. Posto isto uma vez, o resultado não poderia ser diferente a supremacia inglesa prevalece e com isso Hong Kong acaba sendo cedida aos ingleses e se transformando em colônia.
Dessa maneira, isso se manteve por muitos anos, até que em 1997 este território foi restituído a China, porém agora em diante se baseava em um princípio de “um país, dois sistemas” adotando assim uma autonomia e uma liberdade no que tange o estado constitucional, o livre comércio, a liberdade de expressão e ainda contando com uma moeda própria (Dólar de Hong Kong).
Cabe salientar, que este território que outrora era conhecido por ser uma vila de pescadores, agora era reconhecido como a “Nova York asiática" sendo esta uma das maiores regiões autônomas do mundo. Outro ponto relevante, é a economia que se assegura nos setores financeiros e bancários, mas também a pesca e o turismo se fazem prevalecer nesta esfera.
Dessa forma, Hong Kong acaba sendo caracterizada como mais um membro dos tigres asiáticos pois apresenta o maior porto de mercadorias do mundo e possui um dos maiores produtos internos bruto per capita, logo o território é uma potência comercial e um importantíssimo centro financeiro.
Cingapura
Cingapura é uma cidade - estado e ex-colônia britânica que está localizada no Estreito de Malaca, uma das rotas comerciais mais importantes entre a ásia e a europa, no sudeste asiático. Até os anos 1950, o país fazia parte da Federação da Malásia e era considerado apenas um entreposto comercial, sem grandes riquezas. No entanto, após a independência e dentro de poucas décadas, o país conseguiu se tornar uma das economias mais fortes do planeta, sendo um dos maiores centros financeiros da Ásia e tendo um dos IDHs mais altos do mundo.
Primeiramente, é preciso entender que o país não é considerado uma democracia liberal, com limitações a respeito da liberdade de expressão e de imprensa e sendo governado por um único partido desde sua independência, o PAP (Partido da ação popular). No que tange à economia, ao contrário do que muitos pensam, o país mescla forte intervencionismo estatal com liberdade de mercado, contando com um ambiente aberto para investimentos estrangeiros.
Logo após sua independência, nos anos 1960, o principal desafio do governo do país era eliminar os altos índices de desemprego. Para superar o problema, o governo entendeu que precisava desenvolver uma forte indústria de manufaturas. Para isso, o governo criou fortes incentivos para a atração de investimentos estrangeiros, através do Conselho de Desenvolvimento Econômico (EDB), e criou mecanismos para que o salário dos cingapurianos permanecesse baixo, garantindo o fornecimento de mão de obra barata para as indústrias. Assim, nos anos subsequentes, o país conseguiu atingir uma situação de pleno emprego.
Posteriormente, o governo de Cingapura, além de continuar com os incentivos para o investimento estrangeiro, fundou diversas estatais em setores estratégicos para dar suporte ao setor privado, como o Banco de Cingapura, a Singapore Airlines e o Sembawang Shipyard, empresa do setor naval, havendo também participação de capital do Estado em diversas outras empresas privadas. No entanto, o governo de Cingapura, por prezar por um ambiente confiável e estável para fazer negócios, optou pela privatização de estatais que não obtinham bons resultados. Outro ponto de destaque da participação do Estado na economia de Cingapura é o sistema de poupança compulsória do governo, conhecido como Central Provident Fund. Esse sistema conta com a contribuição de trabalhadores, empresas e o governo para o investimento em habitação, educação e sistema de saúde.
O rápido crescimento da economia de Cingapura criou um grande desafio: durante os anos 1980, os salários dos trabalhadores começaram a ficar cada vez mais altos em comparação com outros países asiáticos, forçando o governo a se reinventar para contornar o problema. Assim, Cingapura investiu largamente em educação e qualificação profissional, com a criação de diversos centros de capacitação, escolas e universidades, permitindo que o país passasse a produzir produtos de maior valor agregado e de grande desenvolvimento tecnológico. Mais recentemente, Cingapura passou a investir também no turismo, se tornando um dos maiores pólos turísticos de toda a Ásia.
Taiwan
Taiwan é uma pequena ilha localizada a sudeste da China continental. Após o fim da guerra civil na China, protagonizada pelo partido nacionalista chinês e pelo partido comunista. Os nacionalistas, derrotados na guerra, acabaram fugindo para a pequena ilha de Taiwan onde permanecem até hoje, formando um governo local. Atualmente, a soberania da ilha é contestada pela China, que considera o território uma província rebelde.
No começo do governo a ideia de protecionismo de Mercado era a que regia a economia da ilha. O fato da ilha na época ser bastante dependente da economia agrícola (cerca de 32% do PIB), fez com que o governo tentasse começar um processo de industrialização, mas o alto protecionismo econômico acabou por dificultar tal movimento pois a ilha estava importando mais do que exportando, gerando um déficit na balança comercial .
Posteriormente, o governo começou a incentivar empresas estrangeiras a se instalar e produzir no local e criou planos econômicos para o aumento da exportação. Com essa abertura, incentivos do governo de Taiwan e a barata mão de obra local, empresas e empresas japonesas começaram a produzir na ilha, já que em seu território a mão de obra era mais cara. O sucesso das exportações de Taiwan foi tão grande que parte do lucro gerado passou a ser enviado para financiar a melhoria da infraestrutura da ilha .
Em meados da década de 80, o enriquecimento da nação era nítido em todos os aspectos, a população era muito mais rica, havendo um encarecimento da mão de obra local. Com isso, o governo de Taipei investiu fortemente na produção de pesquisa sobre produtos com alta tecnologia, pois eles teriam maior valor agregado. Hoje Taiwan é um país referência em tecnologia e educação, com grandes empresas desfrutando de tecnologias originadas na ilha.
Coreia do Sul
A Coreia do Sul, localizada na península coreana, no leste asiático, é um pequeno país, com tamanho equivalente a metade do estado de São Paulo. O país obteve sua independência do Japão após a Segunda Guerra Mundial, formando uma república ainda unificada. A divisão da Coreia remonta à Guerra das Coreias, nos anos 1950, em que a Coreia do Norte, socialista, apoiada pela URSS e pela China, e a atual Coreia do Sul, capitalista, apoiada pelos Estados Unidos, guerrearam para defender suas ideologias. Tal guerra nunca acabou formalmente, havendo apenas um cessar fogo.
Inicialmente, o país possuía uma economia majoritariamente baseada na agricultura. No entanto, a partir dos anos 60 foram iniciados uma série de planos econômicos para o desenvolvimento de manufaturas voltadas à exportação. Vale ressaltar que o país recebia grande ajuda americana no que tange a assistência técnica e financeira. Posteriormente, o país desenvolveu sua indústria pesada, com desenvolvimento de indústrias de automóveis e navios, por exemplo.
Um fator decisivo para o crescimento coreano foi a educação, tendo universalizado a educação fundamental nos anos 1960. Prova desse sucesso é sua taxa de alfabetização, que saltou de 22% em 1945 para 97,9% em 2002. Outro ponto importante foi o pesado investimento na inovação, com as indústrias coreanas utilizando-se inicialmente de técnicas de engenharia reversa, desmontando produtos vindos do exterior e remontando-os.
Assim, Nos últimos 50 anos, a Coreia do Sul passou da condição de um país subdesenvolvido para desenvolvido, com grandes taxas de crescimento de seu PIB todos os anos. Atualmente, o país é destaque na produção de produtos de alta tecnologia, possuindo grandes indústrias em seu território.
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