Liberdade de Destruição
- Lucas Camargos
- 9 de jan. de 2023
- 2 min de leitura

Ontem, no dia 8 de janeiro de 2023, o povo brasileiro foi atacado. Terroristas Bolsonaristas, que se autointitulam “patriotas” e “conservadores” invadiram o Supremo Tribunal Federal, o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto numa tentativa de golpe de estado, destruindo tudo o que havia pela frente, incluindo obras de arte que fazem parte da história brasileira, muitas delas presentes enviados por outros países ao Brasil. Mas, vale a pergunta: que patriotismo é esse que despreza a memória nacional? Que conservadorismo é esse que tenta tomar de assalto o poder, de maneira completamente violenta?
A Resposta imediata para essa questão é uma só: não são patriotas, nem conservadores. O conservadorismo pressupõe, antes de tudo, respeito às instituições e ao poder estabelecido, prezando sempre pela mudança social lenta, sem rupturas. Além disso, o conservador não defende a liberdade como um valor absoluto, como fazem parecer os bolsonaristas; a liberdade está sujeita a preservação do poder estabelecido, das virtudes e tradições do povo. Os invasores são, na realidade, pessoas que já não respondem às suas próprias consciências, estão completamente fanatizadas, como verdadeiros zumbis. Em nome da liberdade - ou do que julgam ser esse valor - são usadas pelo Ex-presidente da república e sua rede de influenciadores, que de longe - em muitos casos dos Estados Unidos - inflam os ânimos contra a república e o sistema democrático. Esse fato, é claro, não exime de culpa as pessoas que ontem realizaram a invasão, muitas delas já presas, porém joga luz sobre o fato de que enquanto os patrocinadores desses atos ficarem impunes nada mudará.
Além disso, os fatos ocorridos no dia de ontem são ainda mais graves para a cultura política brasileira: a direita do espectro político foi completamente destruída pelo bolsonarismo. A partir de agora, todos que se identificarem minimamente com o lado direito do espectro político serão imediatamente associados ao desprezo pela democracia e à tentativa de golpe de Estado. Será preciso muito esforço para recuperar o espaço que foi perdido e as poucas vozes democráticas que restaram - uma minoria - precisarão, antes de tudo, dissociar-se de Jair Bolsonaro e de oportunistas “liberais” e “conservadores” que apoiam de forma velada o bolsonarismo.
No entanto, o momento agora é de união dos brasileiros que prezam pelo sistema democrático. Os radicais devem ser presos e expurgados de uma vez por todas do debate público. veículos de comunicação, empresários, influenciadores digitais e políticos que estão envolvidos com as agressões do bolsonarismo devem ser punidos. Há ainda uma série de funcionários públicos, em especial policiais, que se omitiram perante o acontecido e que, por óbvio, também são criminosos. O que está em jogo agora não é mais uma questão de preferência política, mas de sobrevivência da república e dos valores mais caros à toda sociedade.
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