A Ascensão da China em Oposição à Democracia Liberal
- Lucas Camargos
- 2 de dez. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 5 de dez. de 2021
No fim do século XX, Francis Fukuyama propôs a teoria do Fim da História, que traça um vínculo entre desenvolvimento político e a democracia liberal. Para Fukuyama a democracia é um sistema de legitimidade universal e torna-se o último estágio para o desenvolvimento político. Além disso, Fukuyama faz uma distinção entre Estados “históricos”, sendo eles aquele considerados em desenvolvimento ou subdesenvolvidos, possuindo instituições fracas, uma comunidade política fragmentada e sem flexibilidade, e “pós históricos", sendo considerados desenvolvidos, com instituições democráticas consolidadas, visão comum de interesse público, legitimidade e lealdade dos cidadãos.
No entanto, ao observar o mundo atual, percebemos que muitos países alcançaram estabilidade política e o desenvolvimento sem necessariamente se tornarem democracias liberais. Pode-se citar como exemplo as diversas autocracias do Oriente Médio, como Catar, Bahrein e Arábia Saudita, ou mesmo a China. tais países possuem alto grau de coesão política, com Estados fortes e lealdade de seus cidadãos, não havendo nenhum vislumbre de haver mudança no regime político. É valido acrescentar também que grande parte das democracias já consolidadas no mundo têm sido questionadas quanto a sua legitimidade por seus cidadãos, havendo inclusive crescimento do suporte à posições antidemocráticas. Um exemplo disso é a ultima eleição americana, disputa extremamente polarizada, que culminou na invasão do Capitólio por manifestantes pró-Trump.
Falando especificamente da China, desde a abertura capitaneada por Deng Xiaoping, esse Estado ampliou muito seu poder econômico, protagonizando questões importantes na área, como o desenvolvimento da tecnologia 5G e a implementação da Nova Rota da Seda. Além disso, a China tem expandido muito seu poder militar, causando incidentes com diversos países da região, com o avanço de suas forças sobre a região do Mar do Sul da China e com as constantes ameaças sobre Taiwan, ilha nunca reconhecida pelo Partido Comunista Chinês como um Estado Soberano. Apesar de todo seu desenvolvimento, a China acumula graves problemas com relação aos Direitos Humanos, com, por exemplo, o desaparecimento de críticos do regime e a questão dos campos de detenção para minorias étnicas em Xinjiang, no noroeste do país. Nesse aspecto, a ascensão chinesa enquanto grande potência é um fato espetacular e ao mesmo tempo assustador. É Espetacular porque demonstra que, um Estado pode sair de uma condição de pobreza extrema e atingir um nível de desenvolvimento muito elevado em pouquíssimo tempo. Por outro lado, o crescimento chinês é assustador, pois diante de um mundo com democracias liberais passando por graves crises de legitimidade, é inegável que o aumento da influencia de um Estado autoritário sobre os outros coloca em risco os avanços democráticos que o mundo vivenciou no ultimo século.
Sem dúvidas, diante de um mundo ocidental em crise e um fortalecimento da posição e influencia chinesa no planeta, é possível afirmar que Fukuyama errou. O encerramento da Guerra Fria e a ascensão das democracias liberais como o regime político mais avançado e dominante não representaram o "fim da história". Pelo contrário, as dificuldades enfrentadas atualmente pelos regimes democráticos demonstram que as forças autoritárias estão mais vivas que nunca, e continuam a crescer.
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