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A Influência da Geografia no Desenvolvimento das Civilizações

  • Lucas Camargos
  • 13 de jan. de 2022
  • 3 min de leitura


Por que as civilizações da América foram colonizadas pelos europeus, e não o contrário? Por que foram os povos da Eurásia que desenvolveram boa parte das tecnologias que conhecemos hoje? Por que os nativos de outros continentes foram dizimados por esses povos? É fato que não há uma única explicação ou teoria que responda essas perguntas de modo definitivo. Elas foram feitas por diversos pensadores ao longo da história, com alguns até chegando a conclusões racistas para justificar uma suposta superioridade europeia.

No entanto, acredito que há uma explicação que, embora não seja definitiva, é muito valiosa para entendermos o processo de formação de sociedades complexas e, ao mesmo tempo, responder parte dessas perguntas. Refiro-me à explicação oferecida pela geografia: se olharmos para trás, para a pré-história, veremos que as diferenças geográficas entre as regiões do planeta foram essenciais para a formação de sociedades mais ou menos complexas.

O primeiro ponto que pode ser desenvolvido dentro dessa perspectiva é a disponibilidade ou não de plantas e animais domesticáveis nas diferentes regiões do planeta. Alguns povos nunca desenvolveram sua agricultura e nem domesticaram grandes mamíferos, como vacas, cavalos e porcos; outros, o fizeram tardiamente, como foi o caso dos Incas, na região da cordilheira dos Andes. Por outro lado, temos civilizações que desenvolveram essas capacidades de forma autônoma rapidamente e outras que, por empréstimo, se aproveitaram dessas tecnologias.

Dos locais onde a agricultura e a domesticação de animais surgiu espontaneamente, notamos que o crescente fértil e a China são os que desenvolveram mais cedo essas tecnologias. Isso ocorreu porque a eurásia é o continente onde estavam concentradas a maior parte das plantas e animais domesticáveis, logo a seleção dessas espécies, promovidas pelos humanos, foi facilitada, e rapidamente se difundida. Nos locais em que a agricultura e a domesticação de animais surgiu tardiamente, como nas Américas, além do escasso número de espécies aptas à domesticação, a difusão dessa tecnologia entre as sociedades foi muito lenta, devido às barreiras geográficas existentes. Para se ter uma ideia, a cordilheira dos andes era uma barreira tão poderosa, que os Incas nunca tiveram contato com as sociedades da Mesoamérica.

Sabe-se que para a difusão e aperfeiçoamento de qualquer tecnologia é necessário que as civilizações estejam em constante contato umas com as outras, o desenvolvimento de relações de comércio e trocas constantes de conhecimento. Coincidentemente, a eurásia foi o continente em que esse contato entre sociedades mais ocorreu, em virtude de suas poucas barreiras geográficas. Em virtude de seu eixo majoritariamente Leste-Oeste, não há grandes variações de clima entre as regiões do continente, sendo uma massa de terra com poucas regiões de difícil acesso. Por outro lado, nas Américas e na África, o eixo majoritariamente norte-sul implica em grandes variações climáticas e há grandes e poderosas barreiras geográficas, como a cordilheira dos Andes e o deserto do Saara, dificultando muito o contato entre as sociedades.

Outra grande vantagem das civilizações da Eurásia sobre as dos outros continentes foi o surgimento de doenças epidêmicas, como a gripe e a varíola, devido ao convívio próximo de seres humanos animais domésticos, inicialmente matando milhares de pessoas, mas conferindo resistência a esses povos ao longo do tempo. Assim, quando os primeiros europeus chegaram em outros continentes, os povos nativos dessas regiões, isolados geograficamente até então, sofreram pela primeira vez com essas doenças, sendo dizimados. Os que sobraram, tiveram que lutar contra a invasão de sociedades tecnologicamente superiores e muito mais organizadas.

Em resumo, esses fatores, somados, fizeram da Eurásia o local onde o contato entre as civilizações foram mais constantes e a difusão de tecnologias importantes e doenças epidêmicas ocorreu de maneira mais rápida. Assim, foram os primeiros a desenvolver Estados, escrita, medicina, exércitos profissionais, armas eficientes e navegação; tornando possível a conquista a outros continentes, que tinham sociedades que sofreram por milhares de anos com o isolamento geográfico.


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