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A desigualdade entre os Estados e a Pandemia de Covid-19

  • Lucas Camargos
  • 15 de dez. de 2021
  • 2 min de leitura


Nos últimos dois anos, o mundo presenciou um dos maiores eventos ocorridos até agora no século XXI: a pandemia do Coronavírus. Ao longo desses anos, a doença se espalhou por todo o planeta de forma avassaladora, levando a milhões de mortes e fazendo governos de todo o mundo adotarem medidas restritivas, como lockdowns e fechamentos de fronteiras para conter a proliferação da doença.

Com o avanço da pandemia, laboratórios, em conjunto com vários Estados, começaram a trabalhar no desenvolvimento de vacinas para acabar com o problema. Rapidamente, a vacinação avançou, sobretudo nos países desenvolvidos, entretanto periodicamente surgem novas variantes do Coronavírus que colocam em risco todo o processo de imunização. Por que isso tem acontecido?

Para tentar responder parte dessa questão, é necessário entender um grande problema já conhecido nas Relações Internacionais: a desigualdade entre os Estados. Hoje no planeta há Estados com diferentes capacidades financeiras e materiais, alguns com muitos recursos e outros com quase nenhum. Isso se tornou ainda mais evidente na pandemia, com alguns países já distribuindo a terceira dose dos imunizantes - notadamente os desenvolvidos e centros produtores de vacinas - e outros que ainda mal distribuíram a primeira dose para suas populações. Essa desigualdade na aquisição e distribuição de vacinas facilita o surgimento de variantes do vírus, visto que onde não há imunizante, há mais circulação da doença.

Para superar essas desigualdades, surgiram iniciativas internacionais importantes, como a Covax Facility, coordenada pela OMS, que contou com a cooperação de Estados e laboratórios para sanar essa dificuldade, entretanto não foi suficiente. Países como o Afeganistão, atualmente governado pelo Talibã, e a Síria, já a 10 anos em guerra civil, por exemplo, são Estados Falidos, não tendo a mínima estrutura estatal necessária para entregar rapidamente os imunizantes para a população.

Outros países também se enquadram no conceito de Estados falidos, havendo inclusive um índice que estipula o quão falido é o Estado. Tal índice leva em conta diversos fatores internos como: Criminalidade, deslegitimação do Estado, deterioração do serviço público, violações de Direitos Humanos, entre outros. Com tantos problemas internos, os países que se enquadram nessa classificação tem dificuldades tremendas para controlar a pandemia, facilitando muito o surgimento de variantes do coronavírus potencialmente preocupantes.

Muito além de doar ou vender a um preço reduzido, é importante que a comunidade internacional aja para possibilitar as condições logísticas necessárias para que as vacinas cheguem para toda a população do planeta, caso o contrário continuaremos a ter variantes do coronavírus ameaçando todos os avanços que tivemos até agora no combate à pandemia. Mais do que nunca, a segurança de todos os Estados passa por um esforço coletivo em busca de soluções extremamente complexas.


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